Reveillon Na Mata – Funicular

Entardecer na Funicular

Entardecer na Funicular

O ano de 2013 foi mesmo um ano singular: desafios, descobertas, desilusões, sonhos concretizados, muito trabalho, dificuldades, perdas, derrotas e vitórias. Foi um ano muito complexo e cheio de altos e baixos. Perdas que me fizeram pensar no que é importante de verdade pra mim e buscar um estado de maior espiritualidade. O finalzinho do ano foi muito difícil … o término de um namoro que já durava três anos e a perda da Anabel me abalaram psicologicamente. Era momento de parar um pouco e repensar a vida. Felizmente, depois de vários anos trabalhando na passagem de ano, desta vez eu teria 3 dias de folga. Poderia ficar em casa, poderia me infiltrar na família de algum amigo ou poderia ir para a casa dos meus pais, na capital de SP. Mas neste ano eu queria algo diferente, não queria estar comemorando, não queria estar rodeada de gente, ouvir barulho de fogos ou bebendo … desta vez eu precisava estar mais perto de Deus, precisava estar mais atenta à mim e precisava de tranquilidade. Pode parecer nada, mas nada era exatamente o que eu queria e precisava, e eu sabia disso. Foi então que procurei o único doido conhecido que sabia que pensaria como eu: Paulinho!! Meu companheiro de pedal e de rapel, que se tornou um grande amigo, como um irmão, já tinha programado de ir com a Bruna (sua namorada) para a mata passar a virada de ano e me aceitaram como companhia nesta aventura. Assim que fiquei de folga arrumei as coisas em casa, limpei tudo, organizei, alimentei os “filhos” e cuidei para que estivessem bem durante os dias em que eu estaria fora. Queria voltar pra casa com tudo arrumadinho, pode ser coisa de “começar bem o ano”, e fiz uma boa de uma faxina. Sei lá se analistas recomendam faxina como terapia, mas me ajudou demais e preciso reconhecer: enquanto limpava a casa, limpava a minha vida. Encontrei com o Paulinho em SP, saímos para comprar alguma comida. Nada de exagero, nada chique ou elaborado, nada além do que precisávamos. Isso, para três pessoas passarem três dias foram:

  • 1 pacote de macarrão
  • 1 pacote de molho de tomate
  • 2 pacotes de bolacha (recheada e wafer)
  • 1 pacote de bisnaguinha integral
  • 1 pote pequeno de margarina
  • 1 barra de chocolate (sim, é essencial e ninguém discutirá esse item)
  • 2 pacotes pequenos de amendoim (mais essencial que chocolate: ponto final)

Em seguida fomos até a casa da Bruna (já era noite) e de lá para Paranapiacaba. Deixamos o carro do Paulinho estacionado na frente do posto da guarda municipal de Santo André. Conversei rapidamente com os guardas de lá, pegamos nossas mochilas e seguimos até a entrada da trilha que faríamos. Eu, como excelente recruta que sou, fiz o favor de esquecer minha lanterna em casa! \o/ Sorte que o Paulinho tinha duas, então usei uma dele. Achei que ia ficar com mais medo de fazer a travessia das pontes por estar escuro e por conhecer a péssima condição de conservação dos trilhos. Foi a primeira lição do dia: às vezes é preciso aprender a não enxergar tanto!! Ter menos campo de visão pode ajudar a aproveitar mais o que vem pela frente. Este foi um desses casos. Ainda com cautela, mas sem medo, seguimos, passo a passo, até chegar no local aonde iríamos acampar. A mata estava mais alta do que da primeira vez em que eu fui, não pensei nos bichos, em nada … só sentia o vento e ouvia a mata e isso me fez muito bem!

Visão da travessia de uma das pontes durante o dia

Visão da travessia de uma das pontes durante o dia

Detalhe da conservação

Detalhe da conservação

Chegamos, demos uma boa olhada no local e começamos a nos organizar. Armamos nossas barracas e sentamos um pouco pra jogar conversa fora. Era quase 1 da manhã quando o Paulinho percebeu alguma luminosidade vinda da mata. Nos levantamos e fomos ver. Realmente, três pontos de luz. Mais pessoas tiveram a mesma idéia de se enfiar na mata pra passar o reveillon. Não sabíamos quem eram, então normal sentir receio. Nos escondemos num ponto em que poderíamos acompanhá-los visualmente e em segurança, sem que nos vissem. Pareciam perdidos. Era um vai e vem de luz de um lado para o outro … algum tempo depois eles se aproximaram. Nos escondemos e esperamos. Chegaram. Três rapazes. Viram nossas barracas e mesmo sem nos ver, foram se apresentando e dizendo que eram de paz. Saímos, nos apresentamos e conversamos com eles. O grupo vinha de São Miguel Paulista, zona leste de SP e a idéia deles era passar a virada de ano e ficar até o final de semana. Um vibe um tanto diferente da nossa, mas nos demos bem. Ao amanhecer, mais dois se juntaram ao nosso grupo. Todo mundo de boa.

Nossas casas!!

Nossas casas!!

Nossas preocupações durante o dia, se é que se pode chamar assim, consistia somente em andar para curtir a vista, cuidar um pouco da higiene (um pouco! hehehe) e conseguir água para bebermos e preparar a comida.

No meio de tanto verde, de repente um colorido lindo!!

No meio de tanto verde, de repente um colorido lindo!!

 

Paulinho, imitando os gatos lá de casa, querendo subir em tudo

Paulinho, imitando os gatos lá de casa, querendo subir em tudo

 

Na ferrovia paralela alguns trens de carga passavam durante o dia, único barulho motorizado nesses dias

Na ferrovia paralela alguns trens de carga passavam durante o dia, único barulho motorizado nesses dias

 

Travessia da ponte para buscar água e tomar banho

Travessia da ponte para buscar água e tomar banho, reparem no medinho de alguns dos meninos! hauhsuahsaush

Banho de bica, uma delícia!!

Banho de bica, uma delícia!!

 

Amendoim, não pode faltar!!

Amendoim, não pode faltar!!

Ao entardecer saímos para tirar algumas fotos, conversar e rir. O tempo descompromissado é o mais feliz e também o que passa mais rápido:

Paulinho e eu, aventuras sem fim

Paulinho e eu, aventuras sem fim

Casal queridíssimo!! <3

Casal queridíssimo!! <3

Verde por todo lado

Verde por todo lado, isso na Grande São Paulo, a maioria das pessoas nem imagina que existe…

Nos anos anteriores, quando eu não tive que trabalhar na virada de ano, a noite do dia 31 sempre foi de muita festa, gente reunida, comida que nem cabe na pança, fogos … Tratamos esta noite do dia 31 como uma noite qualquer, não que fosse comum, estava num lugar bem diferente da minha casa, nem que fosse sem importância, muito pelo contrário … a vida seguia, de forma natural e alegre. Nos organizamos para limpar e cozinhar e aproveitamos o tempo juntos:

Limpando a casinha! (com folhas tiradas das árvores ao redor, melhor que vassoura da loja de R$1,99

Limpando a casinha! (com folhas tiradas das árvores ao redor, melhor que vassoura da loja de R$1,99

Fogão ultra tecnológico!! :D

Fogão ultra tecnológico!! :D

Nosso Chef Paulinho e o rango, quase pronto!!

Nosso Chef Paulinho e o rango, quase pronto!!

Funil improvisado com folha de bananeira, água limpinha pra fazer o melhor suco Tang

Funil de folha de bananeira, água limpinha pra fazer o melhor suco Tang

Melhor jantar!! Detalhe para o prato improvisado...

Melhor jantar!! Detalhe para o prato improvisado…

Não deu pra ouvir barulho de fogos, não teve festa, nenhuma bagunça … para mim, foi um sonho! Entrar na barraca, pronta pra descansar e começar bem o novo ano:

Lar doce lar

Lar doce lar

Dia primeiro!! Como era meu plantão, precisamos acordar cedo, levantar acampamento e seguir de volta pra casa. Paranapiacaba estava deserta. Encontramos alguma sujeira, garrafas de cerveja quebradas e jogadas no chão … dia de muitos acordarem de ressaca. Dessa vez eu não era uma dessas pessoas.

De volta à "civilização"

De volta à “civilização”

 

Bora pra casa??

Bora pra casa?? (A cara da alegria!!)

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